DIOGO (Nógue) NOGUEIRA ,
é Artista Visual,
Designer Gráfico e ilustrador.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Vernissage Exposição "Onze Lições"
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sexta-feira, 24 de julho de 2009
Live Action de Ficção Científica
O novo live-action da Confraria das Ideias acontecerá amanhã, e a "super-produção" já tem tema definido. O vídeo acima é o trailer do live-action "O maior passo da Humanidade", que tem como tema Viagem no Tempo e é uma ficção científica das polpudas.
Luiz Falcão, do Fabulário, integra a equipe criativa do live-action, que acontecerá amanhã na Zona Leste de São Paulo, Vila Curuçá (acessível para quem é de outras regiões a partir da estação Corinthians-Itaquera do metro). "A história envolve um vírus que destruiu a humanidade, transformando-os em monstros. Cansados de procurar a cura, um grupo de cientista resolveu mudar a estratégia tempos atrás... agora, eles aparentemente desenvolveram uma forma de voltar no tempo. Tudo indica que eles usarão essa tecnologia para impedir que o vírus se espalhe, mas num live-action, só os jogadores podem nos dar qualquer certeza", conta Luiz.
"As referências para a criação da história são extensas e vem principalmente do cinema: La Jette, O Nevoeiro, Eu sou a Lenda... são alguns dos mais fortes. Fora isso, quisemos trazer algo da atmosfera do jogo brasileiro Taikodom, que já é uma referência em FC científica nacional, por isso há entre os personagens um grupo de astronautas". O cenário construído para esse live, como podemos deduzir pelo trailer, tem até algumas semelhanças com o universo ficcional de Taikodom, mas aqui a ação se passará na terra.
Live-Action é uma prática que mistura elementos de jogo e teatro, e é comumente associada aos RPGs. Nesse tipo de atividade, uma equipe de criação desenvolve o cenário (background) da história e os personagens. Os jogadores vão receber cada um 1 personagem e o viverão durante algumas horas, como numa peça de teatro. Mas num live, não há diretor ou roteiro pré-definido, são os jogadores, a partir de suas escolhas e ações enquanto interpretam seus personagens, que definirão os rumos da história.

"Para mais informações: http://rpg-live.blogspot.com/
Para fazer sua inscrição ou tirar dúvidas, envie um e-mail para: contato@confrariadasideias.com.br
A Confraria das Ideias atua há mais de 10 anos com a criação e realização de live-actions, com cases famosos como o primeiro ciclo de lives do grupo O Graal. Há três anos, vêm realizando um trabalho junto às bibliotecas públicas do município de São Paulo. O live-action "O maior passo da Humanidade" encerra a "temporada de 2009".
No site e no blog da Confraria é possível acompanhar as últimas novidades, próximos eventos e as fotos e vídeos de live-actions já realizados.
O tema deste live foi sugerido por um dos jogadores.
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sábado, 21 de fevereiro de 2009
Invisíveis porque querem (parte 3)
Ana Cris e Fernando Trevisan, twittando às escuras!O invisibilidades II, segunda edição do evento de ficção-científica do itaú cultural, foi em setembro e eu ainda não terminei o meu relato.Portanto, muito tempo me distancia das duas mesas sobre as quais vou escrever - justo eu que não fazia anotações pois fotografava - vou tentar puxar pela memória...
O Domingo estava um pouco mais vazio: para alguns, era sinal que o sábado não tinha sido bom, para outros, foi o almoço de domingo, para uma terceira parte, uma turma teria exagerado na cervejinha de comemoração da noite anterior, e para o quarto final de teóricos especuladores, foi a pequena discussão sobre Star Treck que afastou uma parcela visível do público.
Domingo, segundo dia - Mesa 1
Por uma crítica de Ficção-Científica no Brasil: primeiros passosRodolfo LonderoCheguei atrasado para a mesa com Adriana Amaral, Alfredo Suppia e Rodolfo Londero. A mediação foi de Rodolfo S. Filho, que tive oportunidade de conhecer no dia anterior.
A primeira impressão que tive é que havia algo errado com o nome da Mesa. O correto deveria ser algo como "a jovem pesquisa de ficção científica acadêmica", algo assim. Mas estejam atentos: "primeiros passos", diz o título da palestra. Fábio Fernandes (o curador do evento) não disfarça: ele sugere que não há uma crítica da Ficção Científica no Brasil (oh!) e aposta que ela virá de lá: da academia, dos jovens pesquisadores que estão usando seu tempo para refletir a Ficção Científica e suas reverberações por aí.
Das falas, consegui pegar apenas Adriana Amaral e Alfredo Suppia - o atraso (e o abismo já mencionado que distancia minha memória) comprometeu meu entendimento das posições do Rodolfo Londero - mas ele demonstrou grande repertório e esclarecimento sobre as pontuações. Com tese de mestrado foi sobre a recepção do cyberpunk no Brasil, estudo de caso de Santa Clara Poltergeist (veja adiante). Agora, no doutorado, segue na FC. Por sorte, consegui um trecho interessante em vídeo: confiram um pouco mais adiante.
Adriana também falou um pouco sobre o fandom (fan, de fã, dom, como em kingdom), sobre como a ficção científica parece fechada a um certo grupo de admiradores, como a platéia presente (!). E disse isso como uma antropóloga, de fora da "civilização indígena" para a qual, ironicamente, está discursando. Mas não foi com maldade, não entendam mal. Ela disse em seu Blog, as palavras e as coisas, quando foi convidada para a mesa que na platéia "são todos homens e nerds rs ", mas não é agressivo, não... foi até com uma certa - e para mim preocupante - simpatia.
Alfredo Suppia me impressionou com a fala - primeiro porque não foi tolamente pessimista e reclamão, como já estamos habituados a ver por aí, em todas as áreas que consideram-se periféricas ou malditas, segundo porque, muito felizmente, mostrou que estava fazendo jus a sua cadeira no palco: tinha um bom e diversificado repertório e propriedade sobre o que estava falando. Para ele, no cinema - que é sua área de estudo - Ficção Científica não é a margem, é uma das correntes principais e com muito apelo comercial inclusive. Saem dezenas de filmes por ano (senão mais) em Hollywood e muitos, muitos mesmo chegam ao Brasil. Muitos seriam realmente bons filmes, e muitos são bem sucedidos.
No cinema brasileiro, Suppia disse não ser tão grande a escassez. Isto é, se formos contar a produção de curta metragens. Ele disse que o mercado no Brasil está crescendo (e alguém duvida disso!?) e que há muitos estudantes nas universidades e pessoal recém formado fazendo curta metragens de Ficção Científica - bem, um dia alguns desses caras devem fazer longas metragens, não é? E eles já tem gosto pela coisa, então quem sabe?!
A visão, ou o interesse, de Alfredo Suppia pareceu bastante abrangente (nesse sentido, muito próxima a visão de nosso pequeno coletivo). Entre os filmes que mencionou fazerem parte de sua pesquisa sobre ficção científica, destaco o brasileiro Kenoma. Uma rápida pesquisa pelo seu nome no google nos leva também a um bom número de textos de sua autoria sobre o cinema de ficção-científica.
Quanto ao Rodolfo S. Filho, ele foi um excelente mediador, com umas perguntas meio exageradas e canastronas mas muito instigantes e bem formuladas. Soube conduzir bem a conversa, levá-la e trazê-la de volta, proporcionando uma visão geral e diversidade de temas, sabendo lidar com a mesa heterogênea.
Domingo, segundo dia - Mesa 1Ficção Científica Brasileira: passado e presente do gênero no Brasil
A mediação de Kulpas deixou a desejar, é verdade, mesmo tendo começado bem, com uma pergunta que rendeu assunto até o final da mesa: como os autores presentes lidavam com a linguagem em seus trabalhos.
Kulpas arrancou comentários aborrecidos do público e não era para menos, sua euforia acabou atrapalhando mais do que ajudando: atropelava a fala dos demais com comentários, em geral sem grande pertinência, e acabou por confundir seu papel de mediador, unindo-se a discussão ao lado dos demais. Especialmente na segunda metade da mesa, quando não disfarçava mais seu entusiasmo.
Com habilidade, expôs a sinopse (e os devidos comentários) de textos que ele considerava, na literatura brasileira, essenciais, ou verdadeiras obras primas da ficção científica. Mias uma vez, elaborou uma fala rica, distante da obviedade, do esperado, do comum. Segue abaixo um pequeno vídeo, que serve para ilustrar o sentido de sua fala.
Fausto Fawcett é músico e ficou famoso algumas décadas atrás com o hit Kátia Flávia, mas ele estava lá por ter escrito o livro de ficção científica Santa Clara Poltergeist (que também é nome de música e de vídeo). Com um discurso cheio de idas e vindas, digressões fenomenais e arrancando muitas risadas da platéia, Fausto convenceu a todos. Ainda que se perdesse em alguns pontos e pudesse parecer esguio em outros, traçou relações muito interessantes e - se não resolveu nada - trouxe novo tempero a discussão. Aliás, um tempero bem particular, bastante diferente do que estamos acostumados na FC brasileira.
Sua "tese" que mais me chamou a atenção foi a de que a ficção-científica, no Brasil e em outros países (Índia, Angola...), tem um ar diferente, uma lógica e um comportamento diferente da FC norte-americana e européia: um ar de traquitana, de "jeitinho" que se dá as coisas. Pode parecer óbvio falando assim, mas acredite: muita coisa foi (e ainda é) produzida no Brasil como mero reflexo do que se fez no exterior, e uma visão assim colocada, vinda justamente do padrinho-mor de Kátia Flávia e Regininha Poltergeist, tem muito significado!
Aliás, esta visão geral disse a plenos pulmões: ficção científica é literatura. Está sujeita as regras e avaliações da literatura e não pode esquivar-se do que já foi conquistado nesse campo. Assim, a última mesa "casou-se" com a primeira - e o Invisibilidades II, evento de ficção-científica do itaú cultural, parece ter terminado com a seguinte mensagem: ficção científica é coisa séria!
Ou quase. Para terminar descontraído, o evento preparou uma edição temática do Pecha Kucha Night. Não vou me deter muito aqui, deixo três pontos:
1 - Pecha Kucha Night é um evento que surgiu no Japão (Pecha Kucha = burburinho, reza a lenda). Foi criado por um escritório de arquitetura e é uma forma de apresentar projetos, teoricamente mais dinâmica que a tradicional. A idéia é que há um número definido de slides e um tempo definido para cada slide, nada muito além disso - mas com apresentação animada (e quando não "intervenção") da organização. No fundo, no fundo, é um nome descolado para "apresentação de powerpoint".
2 - A versão de São Paulo é bem animada, com interferências do apresentador, gracinhas e boicotes por parte da equipe técnica. Muito bom isso, aliás. O Pecha Kucha paulista está "sediado" no Itaú Cultural, mas o formato foi dado - como nos contou o Kujawski - por Paulo Scott, que comanda o evento Vocabulário, n'o Barco (e mais alguém que - desculpem- eu não me recordo). A apresentação ficou então sob égide do Kujawski que, infelizmente, não tem nem de longe a desenvoltura e carisma do Paulo Scott. Uma pena, pois fica claro que Kujawski está tentando "imitar" Scott e sua turma (dentro dela também o poeta Chacal) - impressão que tenho é que Kuja ganharia mais se tentasse um estilo próprio.
3 - A adesão para esse tipo de evento não costuma ser muito impressionante, nem em número, nem em qualidade. Com o tema ficção científica, então! Mas entre algumas apresentações ruins houve coisa boa. Inclusive uma saída de mestre da organização, que frustou uma apresentação meia-boca e ainda assim mostrou todas as divertidíssimas imagens que o expositor preparou (apenas com o intuito de ser selecionado). O grande destaque foi o Alfredo Suppia, que preparou uma ficção hilariante a partir de frames extraídos de filmes (curtas e longas) de ficção científica de diversos tempos e origens.
Saldo positivo no evento que se mostrou mais denso e interessante que o Fantasticon, pelo menos até agora. Correram pedidos acalorados para que o evento se torne anual, e não bienal. Tolice! Deixem como está, que está de bom tamanho. Dois anos é tempo de distinguirem-se as tendências e os assuntos mais pertinentes relativos ao gênero e de escolher a dedo um bom curador.
Diminuir a frequência seria comprometer a qualidade. E tenho dito!
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Crítica morta e enterrada?
Relato da mesa “As Forma de Crítica” do Seminário Rumos Literatura 2007-2008
O Prof. Samuel Titan, na última das mesas do Seminário Rumos Literatura 2007-2008, revela ter ficado irritado quando soube que o seminário ocorreria em dezembro, próximo das festas de fim de ano, crente que poucas pessoas viriam. Para o feliz engano de Titan, a Sala Itaú Cultural de mais de 200 lugares estava quase lotada.
Não pude frequentar todas as mesas. Para começar, cheguei atrasada em Atualidade de Erich Auerbach e, não sei se pelo meu atraso, pelo meu conhecimento vago ou nulo do autor em questão ou pela tradução simultânea em que as vozes bilíngues se misturam numa suave canção de ninar, esta mesa não foi muito proveitosa. Outra mesa, Atualidade de Machado de Assis (não, nem tudo era sobre a atualidade de alguém, embora fosse até pertinente num seminário que se intitula Rumos) foi deveras proveitosa, mas dizer qualquer coisa sobre ela parece chover no molhado diante da fala exuberante do Prof. João Cezar com seu sotaque londrino-carioca. Resta-me, portanto, falar sobre o doloroso assunto que é a crítica literária no Brasil.
A mesa As Formas da Crítica, mediada por Lourival Holanda, reuniu no palco dois críticos literários de peso: Silviano Santiago, do alto dos seus 70 e poucos anos, e Flora Süsskind. Silviano pontuou sua fala com a imagem do crítico-criador, ou seja, o ficcionista que também é crítico e/ou o crítico que também é ficcionista. Segundo Silviano, o mercado pós-moderno de literatura rejeitara a produção do artista-crítico. Atuar nos dois campos seria um tanto constrangedor de se confessar para um professor, por exemplo, mas não para um médico ou para um jogador de futebol (sutil cutucada em alguns). Pensando depois a respeito, não consegui encontrar nenhum caso de professor-crítico-ficcionista-documentarista-ensaista que fosse marginalizado pelo fato.
Pelo contrário: são fartos os casos de professores famosos (e “queridos”) por terem publicado ficções e ensaios. Talvez Santiago traga mágoas de outras eras...
Flora Sussekind levou a conversa a outros rumos. Comparou ficção e ensaio em termos de forma, definindo a relação entre ambos em três casos: o dobro do idêntico, em que ensaio e forma acabam sendo a mesma coisa; antagonismo de formas; e tensão de campos que não se consuma plenamente. Para cada, qual Flora exemplificou pertinentemente com A Novel of Thank You, de Gertrude Stein, Um teto todo seu, de Virginia Woolf e o conto A tarde de um autor, de Fitzgerald. Caberia aqui uns 5 parágrafos para destrinchar estes exemplos, mas vou pular para chegar logo a parte que nos toca.
As perguntas da platéia vieram com força. Houve, de início, um embate entre os palestrantes sobre a ficcionalização da crítica. Flora teimou em aceitar que de fato havia uma nova forma de crítica, a ficcionalizada que, em contraposição ao bom e velho estruturalismo crítico, estaria vigorando de vento em popa, e “em liberdade”, como citado pelo mediador Lourival Holanda. Outras perguntas vieram e deram a Flora a oportunidade de desvelar toda a sua descrença sobre a crítica nacional atual: haveriam pouquíssimos veículos dedicados a fazer crítica de verdade; toda a pauta destes veículos já seria predada (ou pré-dada, na norma antiga), de forma que é possível adivinhar o que vem a frente antes mesmo de abrir o Caderno 2; os correntes jornais acadêmicos seriam mal diagramados e de conteúdo maçante e doloroso; conteúdo publicado na internet se resumiria a uma “ação entre amigos”, pouco especializada e nem sempre pertinente (ops!). Silviano e Flora ressaltaram ainda que no New York Review of Books e na New Yorker ainda era possível encontrar alguns textos bons. Outras questões foram levantadas e ficaram em aberto: existe ainda algum veículo/crítico capaz de lançar um escritor (a la mode do crítico de arte moderna Greenberg, grã-padrinho da arte moderna norte-americana até a chegada da pop-art)? Prêmios vendem livros? As respostas, obviamente, ficaram para uma próxima reencarnação do tema.
O final de mesas de debate como esta sempre me leva a pensar sobre a coexistência do título inicial e os rumos que a conversa (ou desconversa) levou. Neste caso, fica a impressão de que, se algum dia houve alguma forma de crítica que se dê ao respeito, poucos ficaram vivos pra contar a história.
CARA CAROLINA ,
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Breve pós-cobertura da 32º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
O momento já veio e já passou. Mas como a intenção aqui não é simplesmente dar o serviço, vamos ver o que podemos tirar de mais proveitoso da 32º Mostra Internacional de Cinema.
A Mostra, que já está em sua 32º edição, é um momento celebrado por muitos em São Paulo por diversos motivos. Para mim, o primeiro deles é bastante óbvio: por um curto período de tempo, filmes do mundo todo são trazidos para São Paulo. Isso mesmo, do mundo todo. São filmes que nunca chegarão aqui em outro momento e dificilmente você verá circulando novamente. Além destes, há os filmes que estrearão no circuito mais a frente. Para os mais ávidos, esta é a oportunidade de vê-los antes de todo mundo.
Depois de uma maratona de encaixes, filas e mais filas e correrias, consegui ver alguns dos filmes que queria. Destaco primeiramente os que trazem algo que dialoga com alguns interesses do Fabulário e outras minhas: o não-óbvio, fronteiriço, "os mares nunca dantes navegados" (se é que isso pode existir) do fantástico. Vamos a eles:
A Fronteira da Alvorada: o cineasta francês Philippe Garrel faz um filme de muitas faces, em que se destacam as referências à nouvelle vague e ao expressionismo alemão, trazendo também o elemento fantástico. O protagonista François é um fotógrafo que se apaixona por uma atriz com rosto de quase-diva, Carole. O relacionamento dos dois acaba não dando lá muito certo e a mocinha vai parar num manicômio. Após este momento, o filme parece tomar outros rumos. Um tanto perturbado, François se vê de frente a um acontecimento sobrenatural, sofrendo assim de um sentimento Todoroviano:
“a hesitação experimentada por um ser que só conhece as leis naturais, face a um acontecimento aparentemente sobrenatural". Interessante observar que, embora peculiares, os momentos fantásticos - que beiram o delírio, mas ao final revelam ao espectador sua autenticidade de forma quase alegórica - encaixam-se perfeitamente num roteiro predominantemente realista.
Palermo Shooting: O mais novo filme do alemão Win Wenders foi apontado pela crítica especializada como sendo também o pior. De Wenders entendo muito pouco, mas de fato os clichês estão lá, a olho nu. Porém, trazer como referência tão direta os filmes Depois daquele Beijo, de Antonini e o Sétimo Selo, de Bergman é algo no mínimo curioso. Mais curioso que isto é o fato deste filme, assim como o Fronteira da Alvorada, ter como protagonista um fotógrafo. Finn - muito bem sucedido na sua carreira internacional no mundo das artes e da moda - após passar por uma experiência de quase-morte, viaja para Palermo, onde passa a ser perseguido por um misterioso atirador de flechas. Em Depois daquele Beijo o protagonista do filme é um fotógrafo e a fotografia, a "essência do trabalho" nas palavras de Wenders, é o assunto. Em O Sétimo Selo, o protagonista joga xadrez com a morte, que mesmo perdendo o jogo, continua a persegui-lo. Segundo Wenders, a preocupação com a passagem do tempo, a chegada da velhice e, conseqüentemente, o encontro com a morte é o maior tabu no cinema e que talvez, pela temática "ofensiva", o filme tenha sido tão criticado em Cannes. O encontro do protagonista com a morte é um tanto didático, mas representa também um claro acerto de contas.
Duska: Jos Steling é conhecido por trazer a tona personagens atípicos, silenciosos, à parte do mundo, como em O Holandês Voador. Neste, o diretor holandês nos faz enfrentar o irritante Duska, um homem atrapalhado (e folgado) que só vem empacar a vida de outro homem (também um tanto atrapalhado), crítico de cinema solitário. Duska é um personagem que está no território do estranho. As ações e escolhas dele e de seu anfitrião (Duska se instala na casa do pobre crítico) não podem ser explicadas pela lógica comum. Não chegam a beirar o absurdo, mas ainda estão longe do real. O filme se move nos silêncios. E o final é esquisitíssimo. Conclusão: se houver a oportunidade de ver, não perca.
A Festa da Menina Morta: o filme marca a estréia como diretor e roteirista do brasileiro Matheus Nachtergaele, já reconhecido ator de teatro e cinema. Numa comunidade ribeirinha do Amazonas ocorre a Festa da Menina Morta, evento religioso que relembra um suposto milagre ocorrido à 20 anos atrás com o protagonista Santinho. Esta história, porém, se revela aos poucos e não chega a se completar com clareza. O filme segue cercado nesta atmosfera de crendice e certo naturalismo exacerbado, até que a fronteira entre o real, a alucinação e o fantástico se nubla num dos momentos mais ricos do filme. Longe de ser uma crítica a religiosidade brasileira, o filme fica na fronteira entre o retrato fiel e o olhar direcionado. Como jé era esperado, confrontos morais e ousadia no uso da linguagem do cinema pedem um espectador atento, sem pressa - e nem vontade - de chegar a vereditos.
Vi outros filmes especialmente bons nesta mostra que também valem ser lembrados:
Vicky Christina Barcelona: novo filme de Woody Allen conta (literalmente) a história de duas amigas que vão tirar férias em Barcelona. Lá conhecem um clássico latino caliente que, por alguns instantes, parece mudar os rumos da vida de ambas, embora a entonação de voz de um narrador oculto permaneça igualmente sóbria e indiferente. O filme tem um sintonia finíssima e mostra que depois dos insossos Macht Point e Scoop, Woody Allen chegou lá.
Cinzas do Passado Redux: filme remontado, refinalizado graficamente e reduzido do original de 1995 de Wong Kar-Wai. Com enredo fragmentado e intrincado, o filme narra um ano da vida de um misterioso espadachim que vai morar no deserto após a mulher que ele amava ter se casado com seu irmão. Outros personagens igualmente misteriosos vão se somando à história, tendo sempre como ponto em comum alguma relação com este primeiro personagem: um homem e uma mulher que dividem um mesmo corpo; um espadachim quase cego que deseja voltar a sua terra natal; um homem que, após tomar um vinho mágico, perde a memória. Ao desenrolar da história, as peças vão se encaixando e o espectador percebe que o enredo, aparentemente simples, possui muitas faces e arestas.
CARA CAROLINA ,
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008
1º Dia 3ª Mostra curta Fantástico

A 3ª Mostra de Curta Fantásticos começou ontem, Terça dia 11.
E eu estava lá prestigiando a iniciativa, representando o Fabulário e claro aproveitando o fim de terça com a promessa de uma ótima programação.
Para ser mais exato, já que o evento esta acontecendo simultaneamente em 6 lugares diferentes, estava eu no Centro Cultural São Paulo (ao lado da estação Vergueiro de Metro), para ver a Mostra competitiva I e II.
Era 18h quando as portas da sala Lima Barreto foram abertas. A frente do público, Eduardo Santana e Vivi Amaral, organizadores do evento, seguidos pela equipe de reportagens da globo guiaram a fila até a sala.
Estavam lá também o pessoal da Recurso Zero produções para a estréia do curta O Assassinato da Mulher Mental no festival. (que tirou boas risadas do público)
Naquela agitação toda só deu pra dizer um oi para a Vivi e fui em busca de um bom lugar para sentar. (a conversa e a apresentação vão ter que ficar pra outro dia infelizmente) .
A sessão estava com um bom público, levando em conta que era apenas seis horas de uma terça-feira em uma cidade que a maioria das pessoas está trabalhando ou estudando nesse horário.
Diversidade, qualidade são ótimas palavras descrever a seqüência de curtas da Competitiva I e II, filmes bem produzidos e bons roteiros em abordagens bem interessantes dos gêneros do fantástico.
Após a apresentação d'O Assassinato da Mulher Mental, a sessão foi interrompida para Márcio Canuto, repórter da TV Globo, entrevistar a platéia. Perguntando a nota para o filme e para o festival. Quem viu o SPTV me diga se eu estava bem na filmagem!! (rs)
A segunda Mostra Competitiva as 20h, estava com um público levemente menor, com alguns probleminhas técnicos na passagem dos curtas. Algo bem comum nessa pós-modernidade, não é?
A qualidade dos curtas não deixou a desejar, superou minhas expectativas. Animações divertidas, contos de horror, humor descontraído e irônico.
Para quem não teve a chance de ver, eu recomendo, ainda dá tempo!
A mostra Competitiva I tem mais duas exibições :
CCBB - Quinta, dia 13 - 15h30
CCSP - Sábado, dia 15 - 20h
Mostra competitiva II
CCBB- quinta, dia 13 - 17h30
CCSP - Sábado, dia 15 - 18h
Cinefavela - Sexta, dia 14 - 16h
Lembrando que a entrada é franca a todos!
Mais informações: http://www.cinefantastico.com.br/
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terça-feira, 11 de novembro de 2008
3º Mostra Curta Fantástico
Sim, ela voltou! Agora muito mais próxima de nós (veja como era longe: parte 1| parte 2), paulistanos, a Mostra de Curta Fantástico começa hoje. Os números impressionam e o acesso não poderia ser mais fácil: mais de 150 filmes serão exibidos durante toda a mostra em locais como Centro Cultural Banco do Brasil (próximo ao metrô Sé e São Bento, cuja sala simpática costuma abrigar ótimas mostras) e Centro Cultural São Paulo (do lado do metrô Vergueiro), entre outros.
Esta generosa seleção estará dividida em duas categorias: Mostra Competitiva e Programação Especial. Na primeira, 52 curtas-metragens concorrem a prêmios. Como na mostra do ano passado, os espectadores podem votar nos filmes de cada sessão. Ao final, o curta mais bem cotado recebe o prêmio do Júri Popular. Já na Programação Especial, são exibidos curtas e longas que exploram as diversas faces do gênero fantástico. É nesta categoria que são exibidos filmes vindos de festivais como FANTASPOA, RIOFAN e ROJO SANGRE (Buenos Aires), já citados aqui por esta humilde blogueira de festivais à distância que vos fala.
Cena de O Assassinato da Mulher Mental, novo curta do Diretor Joel Caetano e da Recurso Zero Produções. Eles já nos deram uma boa surpresa no ano passado com seu Julho Sangrento - apostamos neste novo curta que estréia hoje, dia 11: não perca!
A coisa não pára por aí. Além da farta programação, serão oferecidas atividades todos os dias na Casa das Rosas (perto do metrô Brigadeiro, na Av. Paulista) como oficinas, mesas de debate e workshops, iniciativa muito bem vinda da organização do evento que, como o Fantasticon e o Invisibilidades, colabora para a formação de um público ativo para o fantástico.
Todas as exibições de filmes e atividade são gratuitas. Confira a programação completa no site (www.cinefantastico.com.br/) e monte sua agenda.
LUIZ PIRES e CARA CAROLINA,
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sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Invisíveis porque querem (parte 2)
Antes de mais nada, gostaria de pedir desculpas pela sumiço geral. Já deve ter passado quase um mês e devo admitir que será um exercício de memória continuar a falar do Invisibilidades, 2° evento de ficção científica promovido pelo Itaú Cultural.
Mesa 2
Mercado Editorial
Com Ana Cris Rodrigues (clfc), Samir Machado de Machado (não), Ednei Procópio (giz), Richard Diegues (tarja) e Jaques Barcia (terraincognita).
Moderação: Sílvio Alexandre (www.universofantastico.com.br )
Edinei, pulso firme e números 'de cabeça'Fábio Fernandes, curador desta edição do evento, deve ter se realizado quando formou essa mesa. Já há tempos, como pudemos verificar no Fantasticon e nas entrelinhas de postagens em seu Blog, Fábio vem defendendo a idéia da WEB como terreno tão válido para a publicação quanto a mídia impressa. Além de tradutor de livros em papel (de clássicos como "O Homem do Castelo Alto") ele encabeça hoje dois projetos de revistas online com seu parceiro Jaques Barcia: Terra Incógnita e Kalíopes (disponível no site do CLFC). As duas com a pretensão de fazer barulho no cenário da FC nacional e chamar atenção para o que está sendo produzido lá fora.
PAPEL x WEB
Foi assim: Ana Cris, atual presidente do CLFC, e Jaques Barcia - ambos editores de publicações online - defenderam com romantismo a migração dos escritos para a Web, a publicação de textos, revistas, contos e o que mais for na internet. Associaram isto à divulgação maciça, maior visibilidade, mais leituras do material disponibilizado desta forma.
Edinei Procópio e Richard Diegues, editores respectivamente da Giz e da Tarja, se mostraram muito mais abertos e realistas. Reconhecem e acreditam no potencial da internet, mas não desmerecem a boa e velha mídia impressa. Já o Samir, da Não Editora... o negócio dele ainda é papel (mas não descartou nada).
6 MIL DOWNLOADS
Um argumento fraquinho usado no debate foi a quantidade de Downloads em comparação com a quantidade da tiragem de um material impresso. Ana Cris, que está entre trancos e barrancos tocando a digitalização do CLFC, disse que 3 autores convidados a publicar seu material na Somnium recusaram pois preferiram fazê-lo em um veículo impresso.
Ela deu uma leve debochada da atitude comparando a tiragem de 300 exemplares (pouco inferior, diga-se de passagem, à tiragem do Fabulário #1) aos 6.000 downloads da revista BlackRocket. Oras... 6mil exemplares vendidos, por exemplo, seria realmente algo a se admirar, não é? Mas 6mil downloads? Será que é grande coisa mesmo esse número de 6mil downloads? (Não me refiro à revista, ela é sim, muito boa e muito bem feita!)
Donwload não significa também que o material tenha sido lido não é? Ok... essa discussãozinha não é nada produtiva, oras... mas serve para tomarmos mais cuidado com a numerologia empregada neste ou naquele discurso.
Sílvio Alexandre e Ana Cris RodriguesNUMEROLOGIA
Por falar em numerologia: Sílvio Alexandre surpeendeu na mediação, levando as perguntas anotadinhas, com dados específicos, numéricos, para colocar em debate. Só surpreendeu mais mesmo Edinei Procópio que, quem diria, apresentou números de cabeça, de institutos de pesquisa diferenciados.
Aliás, Edinei e Richard, respectivamente editores da Giz e da Tarja, pareceram realmente muito preparados, muito inteligentes, muitos "antenados". Se fosse para julgar a publicação dessas editoras pela credibilidade que seus editores conseguiram passar nesta ocasião, poderíamos sair comprando todos os livros. Mas, infelizmente, não é assim.
Se o discurso de Ana Cris e Jaques Barcia foi pautado pela qualidade literária, pela contribuição ao gênero e refinamento dos materiais, ficou a impressão (para algumas pessoas no público que conversaram comigo depois, eu realmente não senti isso na hora) que o discurso dos dois editores "impressos" estava pautado apenas por um critério muito duvidoso de "vendabilidade".
Bem... se podemos conferir o material editado por Jaques e Ana Cris na web, gratuitamente, para averiguar o material da Giz e da Tarja não adianta numerologia ou outras formas, místicas ou não, de especulação: resta ir às livrarias (ou pedir pela internet, que é mais garantido).
Richard Diegues e Edinei ProcópioENQUANTO ISSO...
Às vezes a gente pode ter a impressão que o movimento na literatura fantástica brasileira se dá geograficamente no eixo Rio-São Paulo (ou no Sudeste) e no Nordeste. Quando fazemos isso, é bastante saudável considerar ingenuidade de nossa parte.
Samir Machado de Machado, editor da Não e organizador do Ficção de Polpa Samir Machado de Machado, um dos editores da Não e organizador das coletâneas de "literatura especulativa" Ficção de Polpa, veio para enriquecer a mesa. O discurso dele soa bastante distinto do que ouvimos dos demais editores presentes (online ou não) e do discurso que costumamos ouvir vindo dos dois outros "eixos" ("Nordeste" e "Sudeste", se é que eles existem assim, enquanto eixos).
Ele não se preocupa em separar "mainstream" de "literatura de gênero", não aponta dados desmotivadores da recepção do público, entre muitas outras coisas que prometem, a longo ou a imediato prazo (afinal, você já pode pedir os livros deles pela livraria cultura) um novo fôlego para a literatura fantástica nacional! (Ao menos, para uma delas).
DUAS FICÇÕES DE POLPA, NÃO UMA!
Esse detalhe me chamou a atenção. Quase não falei dele, mas Samir Machado de Machado, um dos editores da Não e organizador das coletâneas Ficção de Polpa estava presente. Como sempre, ele deu seu parecer (lúcido parecer) de quem está de fora do gueto, com visão geral e abrangente.
Em dado momento, Ana Cris falou com alegria do artigo publicado por ela (juntamente com Alexander Lancaster) na Scarium #19: disse que estava falando da mesma coisa que a antologia que veio depois (e sem conhecimento prévio um do outro, vale ressaltar) organizada pelo Samir. Ora! Eu li os dois materiais e tive contato com a conceituação de ambos...
Se há algo que eu posso dizer a respeito é que não, não é a mesma coisa. Samir Machado de Machado e Ana Cris Rodrigues não estavam falando da mesma coisa. Mas isso é assunto para um artigo à parte.
LÁ FORA E AQUI DENTRO
No discurso do Jaques Barcia (e do parceiro e curador, Fábio Fernandes, também) a gente houve algo que pode parecer às vezes um certo culto ao exterior, ao que é produzido lá fora. Bem... a impressão que os dá (digo impressão por que não li nossos contemporâneos estrangeiros ainda, então só tenho discursos de terceiros para me apoiar)... a impressão que dá é de que os americanos estão lá na vanguarda da Ficção Científica.
Fábio e Jaques não escondem nem um pouco a opinião de que deveríamos nos contaminar com a literatura e o espírito desses escritores (que são além de americanos, franceses, russos, romenos ou de onde quer que sejam afinal)... e, afinal, quem poderia ser contra eles nesta opinião? Mas, junto a isso, parecem levantar discretamente a bandeira de que esta é uma obrigação dos leitores/escritores de ficção científica que devem ler os textos em inglês, importar os livros via amazon.com e buscar contos e copylefts na web.
Não é assim a atitude mais mediadora que poderíamos esperar, é verdade, mas os dois também não estão lá fazendo só o gênero reclamão e questionador: é possível conferir que estão indo além disso logo na Terra Incógnita #1, trazendo ao conhecimento do público brasileiro novos autores.
Às pessoas, como eu, que não dominam o inglês a ponto de destrinchar os romances de 300 páginas que são produzidos no exterior, só nos resta esperar a facilidade de pequenos contos traduzidos, entrevistas e quem sabe, uma ou outra indicação, no futuro, vinda de um tradutor de confiança de alguma editora interessada em ficção científica para que traduzam, de repente, um Perdido Street Station tão breve quanto possível....
Jaques BarciaCONVERGÊNCIA, OTIMISMO E COBRANÇA
Três coisas ficaram claras no debate:
1) Há sim um crescimento dos gêneros fantásticos, no Brasil, nos últimos tempos (ainda vamos descobrir no que isso vai dar);
2) Parece haver uma tendência, ao menos no discurso da mesa, de liquefação (êêêê) nos limites destes gêneros, seja entre si, seja com aquilo que está "fora do gênero";
3) A mesa, muito sabiamente, cobrou qualidade dos escritores presentes. E acredite, um grande filão do público era composto por escritores ou pretensos escritores. Muito bem feita a cobrança, diga-se de passagem (e particularmente, bastante refinada no discurso do Jaques).
CONCLUSÕES
Este debate foi menos polêmico e mais produtivo que o anterior. A Mediação de Sílvio Alexandre ajudou muito para manter o nível e o preparo, conhecimento do terreno e diversidade de opiniões engrandeceu a mesa.
Nota dez para o Fábio, que parece ter captado as energias certas para a elaboração desta mesa!
Ah! E para aqueles que ficaram achando que "foi dito o mesmo de sempre, o que sempre dizem"... talvez não tenha sido acrescentado muito tempero ao caldo desta discussão, nada foi "repetido" inutilmente.
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domingo, 21 de setembro de 2008
Invisíveis porque querem (parte 1)
Acabo de voltar do evento Invisibilidades, do itaú cultural. Rapidamente, vou tentar dar um parecer sobre a primeira das mesas que aconteceram lá ontem (afinal, já passa da meia noite, então é ontem). A segunda mesa fica para uma próxima postagem.
Mesa 1:
Por uma Ficção Científica pós Moderna
Mediação de Gerson Lodi-Ribeiro. Com Max Mallmann, Antônio Xerxenesky, Octávio Aragão, Nelson de Oliveira
A Não-Mediação
Gerson Lodi-Ribeiro pode ser uma referência para a literatura de ficção científica brasileira (e de história alternativa como ele faz questão de lembrar em todas as ocasiões). Mas isso não foi importante para este debate: cá entre nós, ele não foi igualmente feliz como mediador dessa discussão. Contribuiu mais, a meu ver, como participante do debate.
Autoridade
Há um problema recorrente nas reuniões do Fabulário que é a falta de autoridade sobre determinado assunto, ou melhor: há um ou outro assunto no qual todos querem dar uma de "autoridade sobre o assunto". Com o tempo vamos superando esse problema e aprendendo a entender nosso lugar junto às coisas, afinal, nos reunimos bastante. Esse problema fica especialmente engraçado, ou curioso, quando é visto em um evento do porte do Invisibilidades. (Salvam-se da acusação Antônio Xerxenesky e Max Mallmann, que mandaram bem no quesito "meu espaço".)
Pós-Hein!?
Há muitas teorias sobre a pós modernidade. A minha teoria preferida é a que chama a pós modernidade de modernidade líquida. Liquefazer é um verbo excepcional, na minha opinião, podemos usá-lo para falar de muita coisa do nosso tempo - e coisas boas. Eu não sei particularmente o que o Octávio Aragão entende por pós-moderno (parece que ele nunca deixa muito claro qual é a referêcnia dele, mas não tenho certeza quanto a isso), mas ele parece levar isso muito a sério mesmo, quase uma obsessão no percurso discursivo (não é a primeira vez!). Os outros componentes da mesa, menos fanáticos ou exaltados, também deram sua contribuição. Mas como sempre, tudo que é pós moderno se desmancha no ar, e ficamos como começamos...
Inovação?
Em um certo momento, o Octávio falou de inovação, que tem que inovar na literatura. Deu a impressão até que é para isso que existe essa tal pós-modernidade (hihi!). Acho que é de Adorno a frase "não existe o novo, o que existe é o desejo do novo" (e devo esta afirmação a Evandro Carlos Jardim). Nada poderia ser mais moderno que ess coisa de inovar, não é? Na minha opinião: liquefaçam.
O rótulo que te pariu
Tem algo que eu provavelmente nunca vou entender que é esse fetiche pelo rótulo (falaram tanto sobre fetiche pelo papel hoje na mesa seguinte, deviam ter dito algo sobre esse fetiche louco pelo rótulo). Funciona assim: algumas pessoas tem um desejo insano de ser chamado de Ficção Científica. Ou pior: de chamar isso ou aquilo de ficção científica. Ainda pior: de ficar discutindo, muito praticamente, se Moby Dick ou Saramago são ficção científica. Às vezes é só um recurso retórico, que varia do divertido: "Moby Dick é branca, é grande e nada mata ela! Só pode ser mutante" - fala do Octávio. Para o insensato: "Um escritor de ficção científica não ganha um Nobel. Se o Saramago escrever algo de ficção científica ele não vai mais ser o Saramago" (sic) - não lembro o autor. Bem insensato se considerarmos o diálogo que existe entre o recentemente adaptado para o cinema Ensaio Sobre a Cegueira e a FC.
E claro, completamente insensato se considerarmos que a ganhadora do Nobel 2007 de literatura foi a Doris Lessing, que tem uma grande parte de seu trabalho desenvolvido na ficção científica. Ainda que não tenha sido exatamente por este mérito.
O que quer dizer então um sujeito que usa essa argumentação?
O Nelson de Oliveira quer escrever ficção científica como um manifesto anti-literatura convencional. Aí batata: o sujeito se agarra num sub-gênero muito "mal visto" pela "elite arrogante dos narizes-empinados" (palavras minhas, ele não disse nada disso) com a intenção de aprofundar-se no enredo. Beleza: pitoresco e exótico, perfeito!
Já o Xerxenesky foi praticamente caçoado quando disse que não achava que o livro dele era ficção científica. A fome por rotular é tão intensa que os rotuladores nem se preocuparam com detalhes. Minha impressão é que soou mal ao público. Ao menos, soou mal a mim.
O Max Mallmann, único na mesa que eu ainda não conhecia, pareceu também bastante sossegado a respeito. Já o Octávio nem se fala, pareceu febrilmente atacado pelo fetiche do rótulo.
Será que não seria, nessa altura tão "pós-moderna" do campeonato se preocupar menos com esse ou aquele rótulo internacional e simplesmente priduzir literatura de qualidade? Será que o Saramago tivesse se preocupado enormemente em fazer "ficção científica" ele teria ganho o nobel e sido adaptado pelo Meireles (e olha que essas duas coisas são as mais "fichinhas" e superficiais, heim!)? O que será que se ganha com esse esforço de rotulação?
Liquefaçam, por favor
Os pontos altos da palestra foram uma ou outra reinvenção da roda (pode-se falar em FC no Basil sem isso? eu acho que sim, né, mas vamos ver...) e a batalha fanfic X startreck. Alfinetadas ressentidas para tudo quanto é lado. Bom... é assim, né? Fazer o quê? Saí de lá meio lamentoso, é verdade: até quando a patota vai resistir tão sólida como está?
EM OFF
Em off, realizamos duas reuniões do Fabulário: uma antes do evento, sobre o fanzine, e outros projetos, e outra depois do evento (não resistimos a sentar em um restaurante e conversar um pouco com as pessoas que conhecemos e as que não víamos com frequência). Essa segunda girou em torno de literatura, cinema e rpg de terror, do escritor Chuck Palaniuk, de um conto do Carlos Orsi (do qual temos falado bastante) e de impressões dispersas sobre o Invisibilidades.
O evento contou com apresentação elegante (ponto para o Fábio que se mostrou um gentleman e, lógico, para o itaú cultural, um dos meus espaços preferidos de arte e cultura na cidade) e cenografia, além de microfones de lapela (que fazem uma grande diferença), ou seja, infraestrutura de primeira. Claro: não foi na sala vermelha nem teve comes e bebes. O espaço utilizado é a "garagem" (brincadeira gente) do itaú cultural, geralmente destinado a teatro e shows onde já vimos Jaraguá Mulungu, Vestido de Noiva pelo Satyros, entre outros.
Vale, e muito, falar de um fanzine que a gente recebeu antes do evento, feito por um pessoal de Santa Maria - RS. Overclock. Fanzine de cultura cyberpunk (música, cybercultura, cinema, hq - embora não tenha nenhuma - ficção científica). O material é muito bonito, com belas imagens e muito bem diagramado. Nesse pequeno tempo ainda não deu para ler muita coisa, mas o material é bom, garantimos: traduções do fanzine de Bruce Sterling (dos anos 80) texto de Bráulio Tavares e outras coisas finas. Lembrando: a diagramação é jeitosa e bonita, muito diferente da grande maioria de fanzines impressos ou virtuais.
Em geral, como sempre, cada um tem suas opiniões, bem divergentes, sobre o evento. Essa postagem é uma forma de expor a minha visão sobre ele e não reflete a opinião do grupo.
Seguirei com meus relatos, mais ou menos demorados, aos longo dos dias, como fiz com o Fantasticon. Espero que apreciem.LUIZ PIRES,
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terça-feira, 2 de setembro de 2008
Fabulário no Vocabulário
Ainda em São Paulo, o pessoal da Não Editora enfrentou novamente a garoa (pode parecer perseguição, mas foi só ironia do destino) para comparacer ao Vocabulário, evento literário promovido pelo Centro Cultural o B_arco com - http://www.obarco.com.br/ sempre em bad gateway, mas existe- (des)apresentação dos malucos Chacal, Marcelino Freire, Marcelo Montenegro e Paulo Scott. Na sua segunda edição, o Vocabulário reúne escritores e poetas de todas as cores e formas para leituras, declamações, cantos, improvisações, performances e divulgação de seus trabalhos.
Reginaldo Pujol levou todos a altas gargalhadas com a leitura de um conto do seu livro Azar do Personagem. Da Não, participaram também Samir Machado de Machado, com uma não-apresentação da Não Editora; Rodrigo Rosp, falando um pouco da editora e do livro A Virgem que não conhecia Picasso; Antonio Xerxenesky, lendo um trecho de Areia nos Dentes; e Guilherme Smee, que não falou nada, mas foi elogiado pelo belo sorriso.
Fomos no evento inicialmente para prestigiar e conversar um pouco com os amigos da Não Editora, mas tivemos também a oportunidade de ver outras apresentações interessantes de nomes já conhecidos e de pessoal novo. Muitas até: não dá para comentá-las todas aqui. Feliz ou infelizmente (não temos como saber, afinal), tivemos que deixar a casa antes do final.
Avaliação positiva! Confira fotos:

A entrada d'o B_arco, que conta com diversos espaços como café, galeria, teatro, livings e tudo o mais!

Exposição do trabalho de Marcus Vinícius, na Galeria Virgílio (que funciona junto ao B_arco) Essas pessoas da foto? Não conhecemos.

O "stand" da Não editora, que consistia em uma mesa, um guarda-chuva, livros e camisetas

Autografando, Antônio Xerxenesky, que nos presenteou com seu livro Areia nos Dentes. Ao fundo, obra de Sílvia Velludo. Antônio também revelou seus dotes artísticos ao rabiscar um "Chtullu feliz", ao lado da assinatura.
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