sábado, 21 de junho de 2008

Mostra Curta Fantástico tem cartaz vencedor divulgado novo site


Enquanto Porto Alegre está nos preparativos finais para o Fantaspoa, mais boas notícias chegam do festival paulista de curta-metragem fantástico!

O novo site da 3a Mostra de Curta Fantástico está muito bem produzido e muito carismático com seu morto vivo elegantíssimo posando em todas as seções. Além de um Blog para acompanhar as novidades, o visitante ainda pode ler sobre as edições anteriores do evento (que aconteceram em Ilha Comprida, litoral sul de SP).

E para melhorar a situação pro nosso lado, Edu e Vivi - saudosos organizadores do festival - preparam uma mostra especial para o Fantasticon, com alguns filmes que foram destaque nas mostras de 2007 e 2006.

Ano passado, em novembro, nós estivémos em Ilha Comprida para a 2a Mostra de Curta Metragem Fantástico de Ilha Comprida, onde foi realizado o lançamento do Fabulário Fanzine #1. A Carolina escreveu nosso "diário de bordo" em duas partes: Parte 1 | Parte 2



Este ano a mostra será em São Paulo, capital, de 11 a 16 de novembro. O palco será o Centro Cultural São Paulo, colado na estação Vergueiro do metrô. A produção está muito mais completa e elegante... e os preparativos ainda mais instigantes.

Inscreva seu curta!
Para os cineastas de plantão: As inscrições estão abertas.

De 16 de junho a 1º de setembro, os interessados no gênero cinematográfico que explora o horror, a ficção científica e a fantasia podem inscrever seus curtas na Mostra.

Para inscrever um filme ou vídeo, basta preencher e enviar a ficha de inscrição publicada no site www.mostracurtafantastico.com.br, onde também está o regulamento completo. Podem participar diretores, produtores, distribuidores profissionais e outros aficionados pelo tema de todo o País.

Só serão aceitos curtas-metragens produzidos nos últimos 36 meses, com duração de até 20 minutos. As películas podem ter sido captadas em qualquer formato (35mm, 16mm, HD, MiniDV, Beta Digital ou outros), com temática fantástica. Uma comissão convocada pelos organizadores da mostra vai selecionar os curtas-metragens que serão exibidos em novembro.

Esse ano a Mostra conta com premiação que será de R$ 10 mil no total e será dividida nos seguintes prêmios:

Melhor filme de Fantasia R$ 2 mil;
Melhor filme de Ficção-Científica R$ 2 mil;
Melhor filme de Horror R$ 2 mil;
Melhor filme eleito pelo Júri Popular R$ 2 mil
Melhor Criatura R$ 500;
Melhor Efeito Especial R$ 500;
Melhor Maquiagem R$ 500;
Melhor Susto R$ 500

LUIZ PIRES,
é webdesigner e estudante
de Artes Plásticas no
Unicentro Belas Artes

quarta-feira, 18 de junho de 2008

FANTASPOA tem artista russo

O Fantaspoa já é o Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre, mas para afirmar ainda mais a inexistência de fronteiras a organização do evento preparou um item especial.

Um dos cartazes da mostra desse ano, já na 4a edição, é de autoria do ilustrador russo, radicado no Canadá, Vitaly Samarin Alexius. Entre os trabalhos do rapaz (24 anos!) destacam-se especialmente as ilustrações digitais. Impressionou o aspecto monumental, muito bem trabalhado, que o ilustrador traz em boa parte de suas imagens.

Veja alguns trabalhos anteriores dele:







O cartaz do festival ainda não foi odicialmente divulgado, mas eles já soltaram no site o detalhe abaixo. Recebemos o cartaz em primeira mão! Confira a arte clicando na imagem abaixo!



E mais novidades boas vêm por aí. O FANTASPOA acontece este ano entre os dias 29 de JULHO e 10 de AGOSTO


LUIZ PIRES,
é webdesigner e estudante
de Artes Plásticas no
Unicentro Belas Artes

terça-feira, 27 de maio de 2008

O amigo do meu amigo é meu inimigo (?)

Me surpreendi quando entrei, por estes dias, no blog do Fernando Trevisan. E foi uma boa surpresa. Ainda sobre resenhas negativas! e texto anterior Sobre resenhas negativas. Os textos falam sobre como os autores recebem críticas dirigidas a seu trabalho.

O assunto é recorrente desde o início nas reuniões do nosso grupo - antes de qualquer texto entrar para o fanzine, ou assim que ele termina de ser produzido, uma saraivada de críticas é disparada de todos os lados pelos outros membros do grupo, sem piedade. Nem tudo é aproveitado pelo autor (é claro, graças a deus). Me senti um pouco identificado com a postura expressa pelo Fernando. Um pouco.

A postagem dele sobre o assunto me lembrou um artigo do Marcelo Simão Branco que eu havia lido, há algum tempo. Ele fala sobre o que está convencionado chamar por aí de "fandom", mais especificamente, ao que parece pelo contexto do artigo, de um grupo específico inserido nesse cenário:

"(...) O problema é que esta comunidade, a título de se defender do mundo externo, digamos assim, meio que se enquadrou numa espécie de guetto, por vezes com atitudes pouco profissionais, nos quais a atividade da crítica, por exemplo, tem sido severamente desestimulada, quase como se fosse um ambiente de patota, dos amigos que escrevem e não podem ser francos uns com os outros para não ferir suscetibilidades. Outro problema, decorrente em parte deste é a falta de pressão para se escrever melhor, porque não existe um cenário profissional que estimule a competição entre os autores por textos e histórias de melhor qualidade. Ou seja, é uma comunidade que passou a gradativamente desestimular um desenvolvimento artístico mais maduro e profissional."

- Marcelo Simão Branco, no artigo Por que a Ficção Científica Brasileira é invisível e marginalizada?

Não tem desculpa. Sem crítica não há desenvolvimento do trabalho - de qualquer trabalho. O sujeito que não quer ouvir crítica, que só quer regozijo, não quer mudar o que escreve, talvez não esteja nem muito interessado no que escreve afinal.

E com a não-crítica institucionalizada fica difícil colaborar para um cenário com melhor qualidade (seja de produção, seja de compreensão e discussão acerca dos temas e objetos literários). Uma profusão de textos resenhísticos, muitas vezes releases de textos de orelha que não fazem mais do que uma propaganda de comercial nivelam por baixo o circuito da literatura fantástica e congêneros. Para quem produz resenhas ou textos reflexivos sobre a produção desses grupos é um alívio ver-se em um contexto no qual os autores não o odiarão por ser sincero.

E o sistema, se continuar institucionalizado assim, não poupará ninguém. Se ele perdurar, restará ignorar o que não consideramos e super-valorizar (para equilibrar a balança) aquilo que nos é de apreço.

Por aí parece que é diferente, mas para mim é frustrante. Quanto as pessoas dizem "é, está bem escrito" ou o maldito "gostei, legal" e variantes, não adianta nada, isso é ponto comum. Certa vez ouvi um escritor dizer que ficou emocionado, realizado, quando viu o primeiro perfil fake de Orkut com o nome de um personagem do livro dele. Não sei o que passa pela cabeça desse escritor, mas eu não consigo ver nada de bom nisso.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Iron Sky (ou "o que há no lado escuro da lua")

Iron Sky

Está aí um filme bacana! A dica veio do Blog do Sílvio Alexandre e do Ednei Procópio, o Universo Fantástico.

Na melhor tradição de filmes lunares e de ficção científica (no trailler que é trailler a gente já vê o Meliés e o Lang num minuto só, fora os clássicos óbvios que eu ainda não aprendi a nominar) os nazistas fogem para o lado escuro da lua em 1945 a bordo de discos voadores, constituem um império por lá e retornarão em 2018!!!

Sem xurumelas, pare de ler essa postagem e vá ver o trailer no (ótimo) site da produção:
www.ironsky.net/site/

E se você quiser ler algo em sua língua nativa, conheça já de cara um Blog bacana sobre o gênero (que ainda não foi para nosso hall de links na lateral do site):
Postagem no Universo Fantástico

E, já que estamos aqui documentando, fique com duas fotos como as que podem ser vistas no site (e que estão disponíveis no Flickr da produtora finlandesa)






LUIZ PIRES,
é webdesigner e estudante
de Artes Plásticas no
Unicentro Belas Artes

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Guia RIOFAN

Começou o RIOFAN... antes de ontem. E nós aqui de São Paulo ficamos apenas vislumbrando de longe o festival. Mas para quem está na Cidade Maravilhosa é o momento de aproveitar os diversos filmes fantásticos de vários países estrelando na Caixa Cultral, Estação Botafogo e Cinemateca do MAM. Cariocas e turistas, não durmam no ponto pois o Festival promete.

No mais, fica aqui o meu “guia” (em outras palavras, os filmes que eu adoraria ver e rever)


Homenagem Zé do Caixão
Você, você e todos vocês terão a oportunidade de encontrar cara a cara com o Mojica, que dispensa apresentações. Zé do Caixão estará presente para receber um prêmio especial pelo conjunto da obra e apresentar trechos de seu futuro novo filme “A Encarnação do Demônio”.
Estação Botafogo 1: Quinta, 8/5, 21h

MOSTRA VISÕES
1, 2, 3 Whiteout, de James June Schneider, é uma produção franco-americana protagonizada um inventor (o veterano Lou Castel) e sua “cobaia” Veronique (Karine Adrover). Juntos eles tentam criar uma “escuridão positiva”. Whiteou é uma condição provocada pela difusão da luz em um espaço cujo chão esteja coberto de neve e o céu coberto de nuvens, comprometendo a visibilidade metereológica e de contraste. Denominado como “poema sinfônico de ficção científica”, o filme mescla gravações de sons e imagens recolhidas em vários lugares do mundo.
Estação Botafogo 1: Sábado, 3/5, 19h

MOSTRA FANTADOCS

Spine Tingler! A História de William Castle. Willian Castle é um dos grandes nomes do cinema de terror dos Estados Unidos e suas criações ecoam até hoje nas produções americanas ( ou ninguém nunca viu nenhum nome semelhante a "I Saw What You Did", de 1965?). Castle gostava de “brincar” com os especadores e assim criava uma interação extra-filmica com o público. Diz a lenda que na exibição de "The Tingler" (um verme que moraria dentro da coluna de todos nós e seria o responsável pelos calafrios), colocou uma caixa no cinema afirmando que lá dentro estaria o tal verme. O mais engraçado é que todos iam mesmo conferir o que estava dentro da caixa.
Estação Botafogo 1: Sábado, 3/5, 17h
Estação Botafogo 1: Quarta, 7/5, 15h


RIOFAN SHORTS
- Criticized, do Richard Gale. Crítico é sequestardo por diretor (cujo filme foi mal falado pelo dito crítico) que lhe aplica severas penas. Atentem para a cena do clips de papel.
- Victor y la Máquina, de Carlos Talamanca. Um garoto tenta ressucitar o pai repondo seus orgão vitais com pedaços de uma velha motocicleta. Fábula sobre inocência e persistência que faz lembrar os filmes autorais de Del Toro.
Programa 1
Caixa Cultural 2: Quinta, 8/5, 18h

- The Great Magician, de Elisabet Gustafsson. Baseado em um pequeno conto do poeta francês René Daumal. Um mágico que trabalha como escrituário no Banco Místico (nome um tanto sugestivo demais para um banco), mesmo cercado de pessoas hostis, se recusa a usar seus poderes. Para lembrar que a simpática figura do mágico oprimido aparece em toda parte.
Programa 4
Caixa Cultural 2: Domingo, 4/5, 20h
Caixa Cultural 2: Sexta, 9/5, 16h

- Avant Petalos Grillados ( “Depois das Pétalas Queimadas”????). Curiosíssimo curta de Velasco Broca (que é na verdade a terceira parte de um tríptico) em que uma pacata cidade cheia de habitantes estranhos é invadida por extraterrestres. Corre a lenda de que todos os atores eram hipnotizados e que um grupo teatral de cegos desempenhou o papel de extraterrestres. Para completar, foi filmado com uma câmera dos anos 40. Pérola.
Como o programa foi exibido antes da minha postagem, clique aqui para assistir o curta no site Stockholm Film Festival.


CURTAS RIO FAN
Sete Vidas, já citado aqui em “Bem Vindos à Ilha Comprida”, o curta de Marcelo Spomberg e Zé Mucinho (que relevou a identidade secreta da minha gata como sendo a desvirtuada Dorothy Parker) será exibido no mesmo programa de Aranhas Tropicais, o caprichado curta de André Francioli estrelando o homem aranha e a cientista bonitona.
Programa 4
Caixa Cultural 1: Domingo, 4/5, 17h30
Caixa Cultural 1: Terça, 6/5, 19h30

O curta A Cauda do Dinossauro, de Francisco Garcia tem ingredientes de sobra pra justificar a indicação. 1º É baseado em um texto do cartunista Angeli publicado na gloriosa revista Chiclete com Banana (“no tempo do Perdidos na Noite.....”). 2º É estrelado por Christiane Tricerri, parceira de Angeli desde os anos 80 e por Mário Bortolotto, o dramaturgo que só podia mesmo ser fã inevetarado do Angeli. 3º O espaço cenográfico é fiel ao universo estético “angeliano”. No mesmo programa está A Estória da Figueira, de Julia Zakia, filme feito para ser visto por crianças ( e por muitas crianças, segundo a diretora) baseado na fábula da menina morta pela madrasta por deixar que pássaros bicassem a figueira de seu pai.
Programa 1
Caixa Cultural 1: Sábado, 3/5, 17h30
Caixa Cultural 1: Quinta, 8/5, 19h30


UNDERGROUND BRAZIL
Desta mostra, muitos filmes já foram vistos em Ilha Comprida e citados aqui. Entre eles estão Junho Sangrento e A lenda da lagoa vermelha, além de outros como BBZ (isso mesmo que você está imaginando, um Big Brother em que os particpantes são “zumbificados” um a um), O Cine-Teatro e o curioso Gravidade Zero, além do cômico Mute.
Programa 1 (BBZ, O Cine-Teatro, Gravidade Zero)
Caixa Cultural 2: Terça, 6/5, 20h
Caixa Cultural 1: Sexta, 9/5, 14h
Programa 2 (A Lenda da lagoa Vermelha, Junho Sangrento, Mute, entre outros)
Caixa Cultural 2: Quinta, 8/5, 20h
Caixa Cultural 2: Domingo, 11/5, 14h


RETROSPECTIVA
Dois curtas de encher os olhos!

Akai, de Carlos G. Gananian é um curta que se destaca pelo preparo técnico, pelo argumento que, embora comum, é revisto com criatividade e pelo forte apelo imagético que poupa qualquer fala.

Tropel, de Eduardo Nunes, curta-metragista velho de guerra com filmes muito premiados na bagagem, como “Terral”, “Sopro” e “Reminiscência”. Tropel, assim como os outros, exploram o cinema como narrativa poética.
Programa 1
Caixa Cultural 1: Terça, 6/5, 17h30


CLÁSSICOS
Filmes que vocês não encontram em qualquer locadora!

O Cão-Andaluz, de 1928, filme surrealista que faz a fama de Buñuel por aqui.
Cinemateca do MAM: Sábado, 3/5, 16h
O Sangue de um Poeta, filme de 1931 de Couteau, expressionista, surrealista, simbolista ou até realista mágico, que importa! É, sem dúvida, um dos filmes mais bonitos do cineasta.
Cinemateca do MAM: Sexta, 9/5, 18h
O Palácio das Mil e uma Noites, de 1905 de Meliés. Filme de quando se inventaram os filmes como conhecemos hoje. Imperdível para os arqueólogos.
Cinemateca do MAM: Sexta, 9/5, 18h
Scanners – Sua Mente pode Destruir, filme de Cronenberg dos anos 80 sobre uma grande guerra telepática com cabeças explodindo aos montes.
Cinemateca do MAM: Sábado, 3/5, 18h

CARA CAROLINA ,
é webdesigner e estudante
de Artes Plásticas pelo
Unicentro Belas Artes

domingo, 27 de abril de 2008

RIOFAN sai do forno

E é nesta quarta.

A primeira edição do festival internacional de cinema fantástico do Rio de Janeiro começa neste dia 30 de abril, no Cine Odeon com a pré-estréia de Diário dos Mortos (link no Boca do inferno). E parece que o Riofan superou as expectativas: a quantidade e variedade de filmes na programação são de encher os olhos - e devem agradar aos gostos mais diferenciados.

O festival vai até 11 de maio e para quem mora no Rio ou vai estar por lá durante o Festival vai ser uma oportunidade imperdível... Nós, que estamos presos aqui em São Paulo (faculdade, emprego, falta de grana) e vamos ficar chupando o dedo estamos cominveja de quem só vai para ver um filme ou dois.

Enquanto isso, nós do Fabulário esperamos o Festival de Curta Fantástico de São Paulo com ótimas expectativas (depois do Festival de Ilha Comprida, no qual estivemos ano passado).

Para quem está no Sul, lembramos, este ano tem a quarta edição do Fantaspoa.

Enquanto mais boas notícias não vem, confiram o excelente site do RIOFAN:


LUIZ PIRES,
é webdesigner e estudante
de Artes Plásticas no
Unicentro Belas Artes


quarta-feira, 19 de março de 2008

O Pacto e sua Conseqüência Social

Esta postagem foi revisada no dia 19 e abril de 2008, após a contribuição do leitor Fernando Trevisan - http://fernandotrevisan.com.br/

É difícil ou mesmo impossível que todas as histórias sobre pactos com demônios tenham absolutamente as mesmas características, do contrário seriam cópias umas das outras. Do mesmo modo, são tantas as variações colocadas nesse mito que enumerar e comentar cada uma delas seria bem difícil. Contudo, embora certas características não façam parte de cada uma das versões já inventadas para o mito, elas comparecem em um número razoável para serem levadas em consideração.


Um pequeno e significante grupo de histórias mostra isso de forma interessante: Fausto de Goethe, A Maravilhosa História de Peter Schlemihl de Chamisso e Crime e Castigo de Dostoiévski. Não pretendo pensar nas possíveis influências que uma obra poderia ter tido sobre a outra, o que seria bem difícil nesse espaço, mas só olhar algumas coisas que podemos perceber quando lemos.


Nas três histórias, uma personagem tem contato com uma situação de caráter profano e, a partir dessa ação, vê seu destino alterado completamente. Esse conflito interno seria suficiente para dar base aos enredos, contudo, não é isso o que acontece. A ação das personagens não somente gera uma convulsão dentro delas mesmas, mas joga-as para outros lados que ultrapassam o espaço individual.


Image:Walpurgisnacht.jpg
Kupferstich von W. Jury, depois de Johann Heinrich Ramberg - Walpurgisnachtszene aus Faust 1 (1829)
Fausto entre bruxas, demônios e outros seres marginais na cena "Noite de Valpúrgis"

Em Fausto, logo que cerra o acordo com Mefisto, a personagem sai da realidade comum da cidade em que vivia (com jovens, moças, velhas e camponeses) e vai para outra, onde reinam todo o tipo de figuras marginais e subversivas: bruxas, demônios, fantasmas etc. O auge dessa relação é a famosa cena da "Noite de Valpúrgis" quando Fausto participa do que seria o maior festival de bruxas. Também, pela relação com demônio é levado (mesmo que involuntariamente) a causar a perdição da jovem Margarida (a quem desvirgina) e ao assassinato da mãe e do irmão desta. Posteriormente, na segunda parte da tragédia, saindo desse choque com a “pequena” sociedade, Mefisto carrega Fausto também para o lugar da alta política (a corte do Imperador) onde, por sua ação, milhares de convulsões acontecem: fome, guerras civis etc.


Já em A Maravilhosa História de Peter Schlemihl a personagem que dá nome ao livro dá sua sombra a um misterioso sujeito vestido de cinza em troca de uma bolsa que tem infinitas moedas de ouro. Aqui, diferentemente de Fausto, a personagem não chega a cometer crimes ou partilhar a companhia de criaturas demoníacas, mas estranhamente sua própria condição o afasta do meio do qual gostaria de participar. O fato de ser um homem sem sombra causa horror e desprezo nas outras pessoas e a personagem é “condenada” a jamais ter o contato social novamente. O que a sombra representa realmente ainda é muito debatido, apesar disso, uma coisa parece provável: a personagem perde o que tudo na sociedade e natureza possui - a sombra - e dessa forma é apartado e levado à solidão plena.


Finalmente, na mais diferente das três obras, Crime e Castigo, o miserável estudante Raskolnikóv resolve cometer um ato e, através dele, tornar-se um homem extraordinário, igualável a Napoleão. Ele resolve assassinar uma ávara usurária e, através desse ato, passar por cima da moralidade daqueles que considera “pusilânimes” e “ordinários”, pactuando com uma ética superior. No entanto, durante o ato, Raskolnikóv acaba por matar também a inocente irmã da usurária, que testemunha o crime, e, desde o duplo assassinato, passa a ser consumido pela culpa e pelo medo de ser descoberto. Ele coloca-se então numa situação de choque com a ordem, representada pelo policial Porfíri. Participa também da realidade de toda sorte indivíduos marginalizados, não demônios como em Fausto, mas prostitutas, bêbados e miseráveis.


São três enredos com motivos e objetivos diferentes, é evidente, como exemplo, poderíamos observar que Fausto jamais atinge tamanho grau de culpa e auto-crítica como Schlemihl e Raskolnikóv. Contudo, uma coisa fica bastante clara: em algumas histórias (algumas das mais importantes do “gênero”) o pacto – com uma entidade, idéia ou ato profanos – não parece apenas gerar problema para a consciência e salvação individual daquele que o realiza, mas também tem o caráter de uma energia poderosa o suficiente para arrastá-lo com força contra as estruturas da sociedade, levá-lo aos limites da ordem da qual ele participa ou mesmo lança-lo acima desta, colocando em suas mãos o caminho de toda a humanidade.


TADEU COSTA ANDRADE,
é estudante do curso de
Letras na FFLCH - USP