sexta-feira, 11 de julho de 2008

Fantasticon 2008 - Parte 1

Sílvio Alexandre
Sílvio Alexandre, organizador do Fantasticon que abriu todas as mesas
Antes de qualquer consideração sobre o Fantasticon, não vejo como não manifestar minha quase indignação com a escolha da organização das mesas. Elas foram colocadas justapostas, de modo que uma começa, geralmente, uma hora antes do final da anterior. Isso nos obrigou a fazer certas escolhas – algumas delas no escuro, algumas delas "fatais".

Como todo bom crítico deve dar sugestões de melhoria, meu pedido à Organização (aqui representada na figura do excepcional colega Sílvio Alexandre) é que, para os próximos anos, faça uma seleção mais apurada das mesas participantes, reduzinbdo seu número mas privilegiando a experiência do freqüentador e admirador de literatura fantástica – que poderá ver todas as mesas sucessivamente umas às outras.

Claro que uma redução do número de palestrantes contemplados nesse evento (que está apenas em sua 2° edição) poderia também provocar um movimento para o surgimento de um segundo evento para mesas e debates de literatura fantástica. E nós, admiradores e/ou produtores, só teríamos a ganhar.

Segue a isto um relato - não muito breve, é verdade - sobre minha jornada entre as mesas do Fantasticon... (desde a saída atravancada uma hora antes até a conformação e dura e definitiva seleção...)


1a Mesa – Universos Ficionais compartilhados (Transformando Limitações em Triunfos de Enredo)

Essa palestra foi bem legal, só fiquei triste mesmo por Octávio Aragão – criador da Intempol - estar na platéia e não na mesa. A mesa mesmo era composta por representantes (de peso) da equipe de desenvolvimento do Universo Ficcional Taikodom. Entre eles, Gerson Lodi-Ribeiro, um dos grandes escritores de ficção científica (e história alternativa) de sua geração.

Para os que ainda não sabem, Taikodom é um jogo online brasileiro e também uma série de romances e quadrinhos, formando um universo de ficção científica multimídia. Enfim, um universo ficional com vários escritores trabalhando em frentes diferentes.

Como objeto para a discussão, os expositores contaram sobre suas experiências no desenvolvimento do cenário e das ficções que dão suporte ao jogo – como enfrentaram também problemas técnicos do game que tiveram que ser justificados e incorporados na história do universo ficcional. O grosso do cenário foi desenvolvido principalmente pelo Gerson (e compilado no que eles chamam de “bíblias”), mas vários personagens, eventos e detalhes foram sendo acrescentados e desenvolvidos por outros colaboradores.

Abandonei essa mesa, justamente quando as coisas estavam ficando ainda mais interessantes, uma hora antes do final.


Mesa 2 – O Vampiro Antes de Drácula

Proposta bonita essa da Marta Argel e do Humberto Moura Neto, mas não posso dizer que foi uma palestra excepcional. Lembrei-me de um comentário que ouvi certa vez: “fandom mesmo só existe de ficção-científica, os outros...”.

Não querendo desmerecer aqui o trabalho muito bacana dessa dupla: eles conseguiram reunir um bom repertório de histórias e causos, traçando uma cronologia da figura do vampiro a partir do século XVIII de dar inveja em muita gente por aí; mas o público presente não colaborou. Fora as insistentes e cansativas piadas sobre “ser um vampiro” – trocadilhos presentes sempre nesse tipo de mesa e completamente dispensáveis e brochantes. Perdeu-se muito tempo com esse tipo de criancice e os amigos mal tiveram tempo de expôr tudo o que tinham trazido. Uma pena.

Quando público e produtores vão amadurecer, deixar o humor supérfulo de lado e manter conversas mais edificantes? Ponto para FC brasileira, que não alimenta esse tipo de bobeira.
A esperança está no livro deles sobre o tema (com uma boa compilação de contos) que deve ser lançado na Bienal – livre de comentários dispensáveis dos fãs e de piadinhas inoportunas.

Ah! É claro: Marta e Humberto partiram da idéia de que o vampiro - isso que chamamos de vampiro hoje - não é tão antigo como se pensa e que teria nascido na mesma noite que o Frankenstein (em 1818) como uma sátira a figura de Lord Byron. A partir daí, a figura do vampiro se espalhou facilmente pela literatura e pelo teatro, seja no horror/terror seja nas prolíferas sátiras e nas comédias.

Minhas aventuras pelo Fantasticon ainda não acabaram! E para a nossa sorte, as palestras seguintes foram ótimas! Posto mais detalhes dessa jornada em breve...

LUIZ PIRES,
é webdesigner e estudante
de Artes Plásticas no
Unicentro Belas Artes

3 comentários:

Fernando S. Trevisan disse...

Luiz, bom relato, especialmente sobre a mesa dos vampiros! Então você também estava lá? Uma pena que eu não sabia quem era você, até agora não tenho um "Fabulário" :(

[ ]'s e aguardo os outros relatos!

Luiz Pires disse...

Obrigado, Trevisan!

Nossa, pior que não nos encontramos por lá mesmo!

Na próxima não vamos deixar passar, ok! E vamos marcar um modo de te passar os Fabulários (tanto em inglês quanto em português)! Dá para pedir por correio, se quiser!

Abraços!
Luiz

Willian Sertório disse...

Olá,

Foi uma pena Cezar e eu não termos ido ao fantasticon , o que fica para uma próxima. Com esses relatos dá pra ter uma idéia de como foi , aguardo pelo próximo.

Obrigado pelos constantes comentários no blog ! Seria interessante uma parceria no futuro , pois já temos experiência com zine e esse seria o intuito do blog.
Caso queiram me adcionar para conversarmos (não tenho orkut) williansertorio@hotmail.com .

Abraços