terça-feira, 27 de novembro de 2007

Fanzine Somnium convoca escritores

O fanzine Somnium, do Clube de Leitores de Ficção Científica, vai lançar seu novo número (101), especial de fim de ano, e busca material de escritores (contos e artigos) que envolva Ficção Científica e Fantasia. O interesse, segundo os editores, é em contos inovadores e originais, dando preferência àqueles que têm no máximo 3000 caracteres. Os artigos poderão ter maior extensão.

O material deve ser enviado para o e-mail somnium@clfcbr.org até o dia 10 de Dezembro.

A imagem “http://ficcao.online.pt/jorge.candeias/somnium84.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
Fanzine Somnium número 84, de janeiro de 2002

TADEU COSTA ANDRADE,
é estudante do curso de
Letras na FFLCH - USP

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Zé do Caixão no CCBB - Última Semana

José Mojica Marins, o Zé do Caixão

Essa é a última semana da mostra José Mojica Marins Retrospectiva – 50 Anos de Carreira no Centro Cultural Banco do Brasil, que vai até o dia 25 (domingo). Pelo jeito vale a pena conferir. Abaixo o texto de divulgação:

A mostra é a mais completa já realizada no Brasil e no exterior sobre a filmografia do grande José Mojica Marins. O evento tem ainda o compromisso de celebrar os 50 anos de carreira do cineasta, criador de um dos personagens mais populares da cultura nacional: o Zé do Caixão. Embora conhecido como precursor do cinema de horror no Brasil, Marins trabalhou no registro de diferentes gêneros – do melodrama ao fantástico, passando pelo bangue-bangue, pela ação, pela aventura e pela comédia. São exibidos durante a mostra longas, médias e curtas-metragens, em que Mojica atuou, dirigiu e produziu. A mostra exibe ainda um filme inédito, A Praga, finalizado especialmente para o evento. Recomendação etária: de acordo com o filme.

Confira a programação aqui.


TADEU COSTA ANDRADE,
é estudante do curso de
Letras na FFLCH - USP

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Futuro Mais-Que-Perfeito

É, neste final de semana estaremos em Ilha Comprida, com fanzines, cinema, sol e praia... ai ai.

Mas para quem vai ficar em São Paulo, capital, existe um consolo: o Itaú Cultural preparou, para este fim de semana prolongado, a Mostra Futuro Mais-Que-Perfeito. A mostra faz parte da exposição Futuro do Presente, que abriu esta semana.



O Itaú é de longe um dos espaços culturais mais dedicados às artes digitais e eletrônicas e ano passado sediou também debates sobre a Ficção-Científica no Brasil. A mostra está recheada de ótimos filmes de todos os tempos e feitos originalmente para todos os públicos, de Godard a Spillberg. A qualidade é tanta que fica difícil indicarmos uma seção em especial: todos os que conhecemos são pérolas, e os que ainda não vimos parecem não dever a eles em nada.

Vale MUITO a pena e nós do Fabulário lamentamos muitíssimo pela concomitânia... esperamos que, algum dia, o Itaú repita a dose.

MOSTRA ITAÚ - FUTURO MAIS-QUE-PERFEITO
Programação

quinta 15 novembro
15h00 O Homem do Sputnik
17h30 Brazil, o Filme
20h30 London Brief

sexta 16 novembro
15h00 Onde a Terra Acaba e O Homem do Morcego
17h30 Alphaville
20h30 Natureza Morta e Operários ao Sair da Fábrica

sábado 17 novembro
15h00 Uma Aventura aos 40
17h30 Natureza Quase Humana
20h30 Enredando as Pessoas

domingo 18 novembro
15h00 Os Cosmonautas
17h30 Minority Report - a Nova Lei
20h30 Retrospectiva Wagner Morales

terça 20 novembro
15h00 2046 - os Segredos do Amor
17h30 Stalker
20h30 Love is a Treasure


O itaú cultural está localizado na avenida paulista 149 são paulo sp, próximo ao Metrô Brigadeiro.

Mais informações sobre a exposição e uma pequena sinopse dos filmes podem ser encontrados (com alguma boa vontade, é verdade) no site http://www.itaucultural.org.br/



LUIZ PIRES,
é webdesigner e estudante
de Artes Plásticas no
Unicentro Belas Artes

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Lançamento Oficial: Fabulário #1
na II mostra de Curtas de Ilha Comprida!!!

Está confirmado!
Dia 15 de novembro, feriado da República, será lançada a edição número 1 do Fanzine Fabulário. Serão 20 páginas de conteúdo diverso, entre artigos, resenhas, contos, quadrinhos, releituras...

E não pára por aí! O palco do lançamento será nada mais nada menos que a II Mostra de Curta-Metragem Fantástico de Ilha Comprida. Apelidamos por aqui de Mostra de Curtas de Ilha Comprida (que é mais fácil de falar).

Então: o Lançamento será na quinta-feira e venderemos o Fanzine também nos próximos dois dias de Evento. Serão cinco fanzineros (pessoas corajosas que deixarão São Paulo e atravessarão uma auto-estrada em pleno feriado prolongado) a disposição de compradores e interessados!

O Fanzine será vendido pela módica quantia de 1 real.


LUIZ PIRES,
é webdesigner e estudante
de Artes Plásticas no
Unicentro Belas Artes

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Calor
material excedente da Edição Beta


Faltavam apenas 5 minutos para o fim do expediente, mas não pareciam 5, pareciam 500, 500.000. Cada segundo era uma dor tão palpável quanto a dor obturação.
Calma Cláudio... - disse para si mesmo – Você já vai embora... Se não fosse essa merda de calor...

Ele tentava se concentrar em outras coisas, mas a única coisa que chamava sua atenção era a movimentada rua que vislumbrava através da única vidraça visível de seu cubículo, embaçada pela mesma fuligem que fustigava seus poros. Cláudio sabia que lá o calor seria o mesmo e ainda haveria os esbarrões, a claustrofobia e todo o desconforto típico das multidões. Mas lá fora parecia se iniciar um belo poente, daqueles que surgem como uma torrente, uma ducha, que lavam a febre caótica das tardes de inverno pós efeito-estufa. Tudo e todos na rua pareciam sentir isso e espreguiçavam-se, quase como se estivessem voltando à vida. O único lugar que se mantinha indiferente a isso era o escritório que perpetuava o mesmo calor sufocante das 2 da tarde.

Ainda assim, Cláudio permanecia digitando um documento qualquer que ele nem sabia do que se tratava, apenas para tentar abstrair o calor – 3 minutos ainda – grunhiu, olhando o velho relógio de bolso e jogando-o sobre a mesa com raiva. Suas mãos agora não estavam apenas escorregadias, mas também pareciam engorduradas como se estivessem untadas em banha de porco.

Tentando ignorar isso, Cláudio passou a digitar rápido e com raiva, muita raiva. Ele pensava no calor, no chefe ignorante e no tempo que ele perdia dentro daquele antro de puxa-saquismo e competição desleal, realizando serviços que na maioria das vezes só prejudicavam as pessoas normais em prol dos lucros de meia dúzia de figurões semi-etéreos que ele nunca viria a conhecer e se conhecesse, não demonstrariam uma gota de gratidão pelo naco diário de alma que ele depositava em seus cofres.

“Ótimo, tá acabando o martírio”, suspirou Cláudio ao perceber que só faltava um minuto para poder ir embora e decidiu relaxar um pouco. Se espreguiçou, esticou os braços, olhou para o teclado de relance e achou que tinha derrubado algo nele. Que merda de gosma alaranjado é esse em cima do teclado? E esses pedacinhos vermelhos no meio? Quando puxou sua mão de traz da nuca para ver que raios era aquilo, percebeu que aquele liquido pegajoso escorrendo do seu corpo e que agora se espalhava pelo teclado e pela mesa era mais que suor. Horrorizado, teve a confirmação do impossível ao ver um dedo desprender-se de uma mão tão decomposta que não reconhecia como sua.

Em pânico, Cláudio olhou ao redor e percebeu não era só ele; tudo ao seu redor começava a derreter e desmoronar. Mesa, cadeira, paredes do cubículo, tudo estava caindo, sumindo, obliterando-se. Tudo rápido, rápido demais pra pensar em salvação ou em porquês. O computador desligou, assim que começou a esvair-se e ele pode visualizar no reflexo o branco de seu maxilar despregando-se da face. Tentou olhar pela janela em busca de alento e sua única resposta foi um céu tingido de zilhões de tons de vermelho pelo entardecer. Em meio a estrondos abafados e o chapinhar do que ainda era sólido caindo no que já havia derretido, Cláudio viu seu relógio, estranhamente intacto, absurdamente alheio a hecatombe, e num último esforço conseguiu alcançá-lo com o que um dia foi sua mão e proferiu em um misto de insanidade e alivio:

Acabou...




REBUCCI DE MELO ,
trabalha como operador de telemarketing,
cursou Geografia no CEFET-SP e, com sorte,
será estudante de Ciencias Sociais na USP no próximo ano.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Material Excedente

Legalzinho. É assim que um bando de pessoas me classificaram, nada mais nada menos. Após o disparate de ser transmutado para um computador e ser impresso em uma folha de rascunho eles tem a coragem de me chamar de legalzinho. Ora sem inhos e eufemismos para meu lado. Fui posto de lado, material que não merece sair na publicação, fico numa pilha com outros renegados também impressos em rascunhos.

Eu sei bem como é difícil uma vida de texto renegado, ou como eles dizem material excedente, aquilo que não presta agora e se um dia prestar eles publicam, o problema meu amigo é que esse dia nunca chega. Tenho experiência nesse negócio de texto impresso, não é primeira vez que venho parar numa folha. Da primeira vez conheci uma carta, papel timbrado, caligrafia perfeita e um perfume que só ela tinha. Nos separamos por motivos de força maior, ela foi pra Europa, já eu fiquei na cidade.

Já conheci muitos tipinhos, mas o pior tipo de texto que você pode encontrar são os científicos, eles enchem o saco com aquela erudição e ficam se gabando das suas notas de rodapé. "Olhe como minha nota de rodapé é enorme e bem trabalhada". Sério, esses fazem minha tinta escorres de raiva. Bem diferente dos científicos são as publicações de variedades, essas são um barato porque você nunca sabe o que vai encontrar, se bem que as vezes eles são um tormento pois fazem questão de mostrar como são descolados e informativos.

Para textos impressos eu estava bem preparado, agora ao entrar na internet, a coisa ficou diferente. Essa porra é um caos sem limites, aqui não convivem só textos ou imagens, que era o que eu estava habituado a conviver, nesse universo surreal sou obrigado a disputar espaço com uma infinidade de coisas, são filmes, vírus, jogos, sites inteiros. Sinceramente não sei como um bom texto pode sobreviver aqui, como me disse um manuscrito do século XVIII: "Já nã se escreve mais como antigamente."



RODRIGO CANALLE ,
Gênio, futuro historiador,
metido a filósofo, descolado,
divertido e atualmente, mentiroso.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

A Casa-Açúcar
material excedente da Edição Beta

Poucos sabem, mas houve redução de conteúdo para a Edição Beta. Originalmente ela deveria ter mais páginas, mais diversidade também. Para incentivar a produção dos membros, decidimos que a edição n° 1 não deveria receber nenhum material elaborado para a anterior. Estaremos colocando esse excedente no Blog a partir e hoje.

Em uma noite fria e sem estrelas Lou teve o pior sonho de sua vida, um grande monstruoso rato a atacou em sua casa e tentou lhe devorar. No sonho ela correu por toda a casa, que já não era a mesma, suas paredes e objetos eram estranhamente rabiscados e vivos.
Ela acordou com um pulo e saiu em disparada para o quarto de sua avó...

Mas sua casa já não era a mesma. As paredes agora eram de açúcar e os móveis de todos os tipos de doce possíveis. Sua avó já não estava mais lá, no seu quarto havia apenas um gigantesco rato, só que dessa vez ele não a assustava, era fofo, rosa e dormia suavemente...

JOJO,
ex-aluna da USP, cursa
Design Gráfico na
ETE Carlos de Campos