quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Mefistófeles, Cenobitas e Concepção de Mundo

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Mefisto, o demônio de Fausto, lançando a peste sobre a cidade.

Começando nossas pesquisas sobre as “relações fáusticas”, no último domingo escolhemos assistir dois filmes: o Fausto (1926) de Murnau e Hellraiser (1987) de Clive Barker. Em ambos os filmes acontece o que é aparentemente elemento mais básico (ou mais comum) desse tipo de relação: o pacto com uma entidade sobrenatural. Na obra de Murnau, um erudito que sente que seu conhecimento é incapaz de ajudar sua cidade, que é devorada por uma peste, invoca o demônio Mefisto para selar um pacto. Em Hellraiser, um homem que provou todos os prazeres do mundo, insatisfeito, compra um cubo mágico com o qual convoca misteriosas criaturas chamadas cenobitas para, selando um certo tipo de acordo, atingir prazeres inimagináveis.


Mesmo com tão poucas características, já podemos ver fortes diferenças entre os filmes. O demônio de Fausto têm nome e aparência conhecidos e, apesar de estar numa obra moderna, está inserido numa longa tradição onde o Inferno (assim como seus tormentos e suas “regras”) é bem compreendido pelo homem, apesar de temido. Os seres de Hellraiser não tem nome, a não ser o genérico “cenobitas”, além disso, o jeito que estabelecem seus pactos é confuso (jamais se revela o real funcionamento do “cubo mágico”) e o que têm a oferecer é desconhecido ao homem. Qual a razão? Podemos ter algumas hipóteses, das quais me proponho expor uma. A partir da Idade Moderna com as descobertas científicas, o homem passou a ter diante de si um mundo que não era mais inserido numa cosmologia organizada como era na Antigüidade e na Idade Média, mas imenso, com regras ainda a ser (possivelmente) descobertas. Surgiu com força a idéia do Desconhecido, que só ampliou-se com o avançar da modernidade.


Talvez essa seja a diferença: Mefisto, por mais que possa melhorar, em algumas versões do mito, o conhecimento insuficiente de Fausto, (o que também pode estar ligado a essa idéia de incerteza da modernidade, diante do qual o homem sente-se incapaz) é, por si mesmo, um ser incluído em uma cosmologia pré-definida, já os cenobitas são, em si, aquilo que não pode compreendido e, talvez, fruto de uma concepção de mundo que concebe o Desconhecido como um valor a ser reconhecido e representado, nem que seja pelo horror que ele causa.


TADEU COSTA ANDRADE,
é estudante do curso de
Letras na FFLCH - USP

11 comentários:

Eduardo "Gorfada" disse...

Como isso é só um comentário, queria parabenisar o teor do texto esta muito bom, porém tenho que discordar de você ema alguma coisinhas, principalmente sobre a interpretação do porquê da obscruridade dos seres e dos mecanismo, creio que naõe sta ligado ao encontro de um mundo imenso a ser descoberto... Eu diria que a modernidade dá um tom de completude, já temos as leis, e já descobrimos o mundo, o que eu interpretária é que a condição de não revelar nem os nomes e nem o funcionamento do cubo, é jusatmente essa relação prostituida que temos coma tecnologia, sabe o computador funciona, não importa quem fez, que descobriu, ou como ele funciona, o importante é que ele funcione.

Tadeu Andrade disse...

Discordo, Eduardo.. O cubo não está, ao meu ver, dentro de uma concepção de aparelho tecnológico do qual o conhecimento funcionamento é nos é alheio. Se olharmos simplesmente, ele poderia ser isso, mas não é assim. Ele não pertence a uma realidade industrial, como nosos aparelhos, nem é "confiável" e "útil" como nos esperamos que os nossos sejam.

Ele é de uma outra realidade, distante, misteriosa, perigosa. A relação com ele é bem distinta da utilidade.

E acho que os clássicos expoentes da modernidade "Heliocentrismo - Teoria da Evolução - Psicanálise" e eu adcionaria a Teoria da Relatividade de Eistein, dão uma golpe justamente na segurança, na aparência de completude humana.. Mostrando que existe muito mais que nós imaginamos conhecer..

O que você acha?

EDUARDO gerber Junior disse...

ehnnnnnnnn.... creio que o que estava em volga não é a representação do objeto e nem o que ele é.. mas a relação que o individuo tem com ele, sim... é obscuro, é antigo, mas funciona, e é justamente isso que ele quer que aconteça, não esqueçamos que o indiviu esta contido em um tempo e em uma sociedade, onde na qual ele não conhece nenhuma outra atitude com relação ao objeto, ainda mais quando ele promete te trazer mais prazeres.
Sobre a segurança e completude, ainda discordo, pois ainda sim que no momento em que descobertas ciêntificas reduziram mais o globo de atuação e a segurança do homem, ele ainda não rebaixou o seu nariz, o mundo é dele, os animais são deles, e é por causa dele e do esforço dele que o mundo esta assim, ele ta melhor do que os outros.
Alias o medo prenunciou o homem no momento da descoberta, mas não depois pois ele mesmo aprendeu a controlar aquilo, o subcociente ainda é influenciado pela hypnose e existem tratamentos para lidar melhor com ele e vc assumir melhor o controle, a teoria da relatividade pode até demonstrar um medo constante daquilo que é extremamente relativizado, mas foram inventados reatores e aceleradores de particulas suficinete para encontrar regularidades naquilo que era relativisado e mesmo relativisando existe um ordem lógica a relativizar, uma espécie de lei. Copernico mudou o eixo de rotação do imaginario, ams o homem cnosegiu chegar a lua e agora esta se encaminhando a marte, darwin disse que o homem não vem de deus, mas consegue se adptar em qualquer parte do globo, ele é signo de um genotípo unico que venceu na cadeida evoluitva de tal forma que quase não precisa evoluir mais. Vamos considerar que o filme foi gravado nos 80 e que a relação com a ciência naquela e]época er amuito boa, ela se mostrou eficaz e sem precisar saber quem foi que fez ou como funcionou... Os homens daquela época pouco sabiam sobre o conheciemnto de micro-biologia, ams aceitava os novos remédios, pouco sabiam sobre teoria da relatividade mas agradeciam a internet e os novos telefones celulares.

Tadeu Andrade disse...

Ainda discordo EDuardo..

Veja que o que eu coloco no meu artigo é que a modernidade traz o fim de uma cosmologia determinada e prevista.

Bem, não vejo isso existir num mundo onde não é mais possível acreditar em verdades absolutas. Melhor, não é mais possível acreditar que nós podemos ter alguma verdade absoluta.

É claro que existe o "isso foi provado cientificamente".. Mas existe muito espaço para questionamento, para apontar a limitação que o conhecimento humano possui.

A confiança dessas pessoas que vc diz repousa na capacidade de se conhecer mais do que no conhecimento propriamente dito.

Inventaram a hipnose, sim, mas diversas teorias psicanalíticas existem, ainda não resolvidas. O inconsciente não fou profundamente delineado.

O homem pisou na Lua, sim, mas e todo o resto das galáxias, o que existe nela?
O Universo não foi totalmente mapeado.

O peso do desconhecido como horror parece sim moderno, é só lembrarmos de Lovercraft (o Leandro que me corrija), da primeira metade do século vinte, que valorizou enormemmente o conceito e, creio eu, foi uma das influÊncias para Clive barker...

E, de uma vez por todas, acho que não tem nada a ver o cubo com a tecnologia industrializada.. Você espera que um dvd lhe de prazer, mas, além do objeto ser de fácil aquisição (ao menos mais simples que o cubpo o filme, que parece ser único e praticamente inacessível), você o prevê mais ou menos o que vem dele e não espera que ele te aprisione eternamente em troca...

Cara Carolina disse...

Uhu! Temos um Fórum!

1º Du. antes de mais nada, diagnostico você como sujeito hiperativo. Pare de comer pão de queijo com cachaça e vá procurar ajuda de um profissional.

2º O Sr. Eduardo está adotando uma postura finalista digna de Colombo quando descobria na América o que ele na verdade já havia descoberto na cabeça dele. Como disse o Tadeu, o homem pisou na lua, mas o universo ainda não foi totalmente mapeado. Nem o inconsciente. Falta em sua argumentação uma visão mais sólida do todo.

3º O cubo está sim na esfera do mistério (o que não pode ser decifrado e só admite culto e celebração), e não do enigma (que pode ser decifrado). Em nenhum momento da trama é explicado o real funcionamento do cubo ou mesmo o que os cenobitas oferecem ao portador. O desconhecido é usado como signo de fomento ao horror.

EDUARDO gerber Junior disse...

ahhahahhaha.... pão de queijo com cachaça...hahaa.. pelo visto vc nunca viu uma discução minha coma do tadeu;.....ahahhaa.. pode ficar tranquila que eu sou a pessoa emnos himperativa do mundo...ahhahahhahahhahahhahah... mais a noute eu respondo certinho...... inté

EDUARDO gerber Junior disse...

ps: eu parei de beber... só to no pão de queijo agora...ehehe..a disculção acontecia no msn..e nem foi colocado s condierações de pós0modernidade na qual o filme foi feito...ehehe

EDUARDO gerber Junior disse...

Mas o problema é que você utilizou o conceito modernidade e a modernidade, se estiver considerando que ela ainda não acabou, é um processo, que não classificamos como longa duração, mas ainda sim que de um duração deveras extensa, digo isso por que, o processo acontece a dozentos anos (se considerar-mos que ela não acabou), agora digo:
Embora temos provas inrrefutaveis que o homem não é mais o centro do universo, ele ainda sim consegue sentir a sua segurança, devido a funcionalidade e as dogmáticas da ciencia,

sim.....

Um argumento cientifico ainda continua longe de ser refutado se não com um outro argumento cientifico, até mesmo para atestar a santidade de um santo é usado o argumento cientifico.... Só por que muitos de nós se sentem inseguro e consigam fazer outras relações e perceber o qual duvidavel é a ciência, o argumento cientifico para os mais leigos é um argumento seguro, mesmo que ele não saiba como ele foi feito e toda sua metodologia, os homens ainda mantem seus axiomas e como eu disse logo ali atrás, ainda não abaixaram a cabeça para aquilo que é obvio, é claro que o homem não é centro do universo... mas o mesmo não resolveu aceitar isso, ele não é senhor de suas vontades, mas ainda sim contestam a ciencia, ademais produz uma contra ciencia para isso, onde nela ele é sim snehor de saus vontades, assim comoa contecem na antropologia, que nega a existencia de consiente, inconciente e sub-conciente, e com fudamentações muito boas e cientificas, asism como outras ciências sociais, como a socilogia e a história.
O mundo não roda através dele, mas ele sabe aonda ele esta, em que local da via lactia, quando que esse lugar vai morrer, quando ele nasceu, como nasceu e como ela vai morrer.
Sabe quando acontecem os grandes acontecimentos cósmicos e já conseguiu realizar estudos sobre uma particula a mais de milhões de anos luz, sem falar que o robbol, vigia o espaço e conquista ele, sabe onde tem petroleo no universo e já planeja viajens turisticas para o espaço.

E não vou falar denovo.... eu não estou dziendo que o cubo é um instrumento tecnológico... mas ele o trata assim a partir do momento que a unica relação em que aquele homem sabe é a da funcionalidade, oras se até coma vida dele, ele estabelece uma ligação de funcinalidade, por que não com um cubo mágico... ele sabe que é mágico e possivelmente, só esta adquerindo aquilo a um valord e uma outra "tecnologia" (não é um tecnologia é o valor que ele dá, e ele sabe tbm que nao é uma tecnologia) que vai lidar mais prazer, é só ver o tanto de coias que ele usou.... será qeu ele teria medo um cuboq ue pode aprisionar a alma dele, ja´q eu se tudoa quilo do imginário cristão existir ele não vai pra um lugar muito bom, as ações dele e sua intensa busca pelos prazeres já consumiu a alma dele, ele não tem muito a duvidar...

EDUARDO gerber Junior disse...

ehh lógicoq eu estpu adotando de um postura finalista....e stamos falando de modernidade..... quer um sentidido mais teleológico do que esse?... O homem moderno é finalista... agora se expandiros para pós-modernidade... ai sim poderiamos não só divercificar, assim como destruir o conteúdo finalista do meu discurso....mas por agora estou partindode um conduta finalista por um motivo que para mim esta contido na inexistência da pós-modernidade, embora já venho me acostuamdo com ela, mas não vamos entrar nessas entranhas cavernosas...ehheheh

EDUARDO gerber Junior disse...

nossa eu dominei esses comentários..ahha... eu juroq eu naõ foi minha intensão...são nessa horas que você vê o qaunto que vc é prolixo..(rs)

Anônimo disse...

Discução interessante, brizei um pouco mas gostei...
O cenobita principal tem nome é Spinhead os outro não tem nome, pois o filme Hellraiser tem 7 ou 6 histórias e cada uma tem um grupo de cenobita diferente mantendo só o Spinhead, ou seja, os outros cenobitas são transfor mados em cenobita ao longo do filme então eles mantem o mesmo nome antes da transformação.
Ps: desculpa se eu estiver errado, mas pelo que eu entendí assistindo os filmes é isso...